segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

[Resenha] Will & Will - Um nome, um destino









Lido em: Janeiro de 2015
Título: Will & Will - Um nome, um destino
Autores: John Green, David Levithan
Editora: Galera Record
Gênero: Romance Queer
Páginas: 352
Ano: 2010 (7º Edição)

 
  John Green é um dos meus autores preferidos, então eu leio todos os livros que puder dele (considerando que ele tem só cinco livros – e um conto – publicados, fica fácil). E eu sempre ouvi falar muito bem de David Levithan, mas nunca li nenhum livro dele.

O livro é narrado por dois garotos chamados Will Grayson, cada Will Grayson pertence a um escritor, na narrativa de John Green é tudo normal, porém quando chega a parte do David Levithan a diagramação muda, não há letras maiúsculas por exemplo, pois segundo Levithan é assim que o garoto se vê.

Como já falei, o livro narra a história de dois garotos chamados Will Grayson, eles não têm absolutamente nada em comum a não ser o nome e a vontade de descobrir quem realmente são e qual é o seu papel no mundo.


O primeiro a nos dar o ar de sua graça, no primeiro capitulo é o Will do John Green, heterossexual, que logo conhece Jane e se sente atraído por ela. Ele vive sua vida sem exigir demais, sem esperar nada, se define como “prático”. Filho de médicos, curte a companhia dos amigos e tudo aquilo que a maioria dos adolescentes do ensino médio curte. O Will do David Levithan, dramático, homossexual, depressivo, esse Will vive reclamando de tudo e de todos. Mora só com a mãe, estuda, trabalha numa farmácia e, quando chega em casa, conta os segundos para conversar com Isaac, sua paixão virtual.

"...sigo pro computador e é como se eu me transformasse em uma garotinha que vê seu primeiro arco-íris"

A principio, o primeiro Will Grayson faz um resumo de sua vida pacata e de seus poucos amigos, que na verdade se resume ao total de um amigo, Tiny Cooper.
Will abandonou Tiny por um tempo, ou Tiny abandonou Will por um tempo, mas eles voltam a se falar a compartilha da verdadeira amizade entre os dois. Tiny é fabuloso, como ele mesmo afirma, enquanto Will leva a sério suas duas regras, onde 1- não se importar com nada e 2- manter a boca fechada. Ele acredita que seguindo essas duas regras pode evitar muitos problemas e um deles é ter que lidar com a decepção do coração partido, a qual não sofreu e não quer sofrer.

“Eu não entendo muito bem qual é o sentido de chorar. Além disso, acho que chorar é quase – assim, exceto em caso de morte de parentes ou coisa parecida – totalmente, se você seguir duas regras muito simples: 1. Não se importar muito com nada. 2. Calar a boca.”                                                                                                                         

Tiny diz que nasceu para brilhar, e que suas decepções amorosas, que são muitas, tem que servir como um exemplo para os outros. Will acha que seu amigo se apaixona tão fácil quanto troca de roupa.

No segundo capitulo nos deparamos com o Will-do-Levithan. Ele é um garoto que sofre de depressão, tendo que até tomar remédio de tarja preta pra ajudar. Will é um garoto indiferente a tudo e a todos, acostumado a se isolar e esperar pelo momento certo de morrer ou matar a todos. Na companhia de Maura, Will pode praguejar o mundo, e contar quantas pessoas está sentindo vontade de matar no dia.

“vivo constantemente dividido entre me matar e matar todos à minha volta.”

Ele tem uma paixão virtual que em breve se tornará real, e essa parece ser a única coisa que o deixa feliz na sua vida. E é no dia em que uma grande decepção acaba por tomar conta da sua vida que ele conhece Will-do-Green.

Isso não acontece de imediato na história, mas quando esse encontro – completamente inesperado e na situação mais. improvável. do. mundo. acontece, parece que o destino dos dois acaba se entrelaçando bem firmemente. A narrativa dos dois Will’s acabam, de alguma forma, nos levando até Tiny. Ele nasceu mesmo para ser uma estrela e ser parte importante de tudo o que participa. Tiny, é a vida do livro, é o riso e o colorido, é o drama e a força. Tiny é Tiny e é fabuloso.

Tiny Cooper. Ele definitivamente rouba toda a cena do livro quando aparece, não importa em que capitulo ele apareça. Ele tem sua primeira aparição nos capítulos do Will-do- Green. É gay assumido completamente sem vergonha de mostrar esse fato ao mundo. E se não é pela beleza, ou o fato que ele é PODRE de rico, é com certeza o jeito dele de ser que faz com que ele tenha tantos namorados.

“Ele está sempre tentando chegar ao coração das pessoas. E isso significa que ele sempre supõe que haja um coração aonde chegar. Acho isso ridículo e admirável ao
mesmo tempo.”

Os dois Wills se ligaram muito a Tiny e ficaram meio que dependente dele, mesmo reclamando que Tiny apenas pensava nele, os dois meio que precisavam de uma dose de Tiny todo dia...

A estória toda acontece em torno destes três personagens, é ritmada e envolvida no musical de Tiny que é um dos momentos mais aguardados do livro.

Os outros personagens também são bons e bem construídos, com características bem marcantes. Jane, Maura, a mãe de cada Will, o pai de um deles, etc.

Will e Will é um livro que eu considerei muito bom. Tem uma leitura muito fácil e bem fluida, o romance homossexual está presente. Mas é tratado de forma natural, sem preconceitos, como realmente deve ser, e não como um tabu. O livro apresenta certas “críticas disfarçadas à sociedade”. Li em alguns lugares que a editora chegou a mandar uma cópia para Marco Feliciano, com a dedicatória: “Prezado deputado Marco Feliciano, é só amor. Talvez com esse livro o senhor consiga entender”.
Mais que tudo, podemos observar ao longo da história uma lição de amor e de amizade, fazendo-nos lembrar das coisas que realmente importam na vida.

A verdade pura e simples. 
Raramente é pura e nunca simples de fato. 
O que um garoto pode fazer 
Quando mentira e verdade são ambas pecado? 
- Oscar Wilde (musical de Tiny Cooper)

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